Missionária brasileira resgata menina de casamento e mutilação genital na Tanzânia
Uma missionária brasileira resgatou uma menina do casamento infantil e da mutilação genital, na Tanzânia.
Ironi Isabel Ribeiro, que foi enviada ao campo missionário pela Igreja Visão Profética, compartilhou a história da menina Joyce em vídeo no Instagram.
Seu pai, da tribo Massai, estava prestes a lhe dar em casamento para um homem adulto, em troca de três cabritos. A missionária disse que não sabe a idade da menina, mas acredita que ela tenha menos de 7 anos.
Com ajuda de doações, Ironi conseguiu arrecadar o dinheiro do “dote” e pagou o resgate de Joyce, que custou cerca de 1.000 reais.
“Estou muito emocionada. Foram quase duas semanas de negociação. Ela já tinha um noivo, vocês acreditam? Ela já tinha um homem com quem deveria se casar, mas em nome de Jesus isso não vai acontecer. Esse ano ela iria para mutilação genital, nós conseguimos salvá-la da mutilação e do casamento precoce. A Joyce está conosco, chegou com a malinha dela, e eu quero agradecer a você que contribuiu”, disse Ironi.
Após o resgate, a menina foi acolhida na Casa Abrigo da ONG “Nyumba Ya Bibi Sebastiana”, liderada pela missionária brasileira. No local, Joyce está recebendo alimentação, cuidado e educação.
“Agora ela vai poder estudar e ser criança em nome de Jesus!”, comemorou a missionária.
Ironi explicou que o casamento infantil e a mutilação genital de meninas é comum nas tribos Massais na Tanzânia.

“Depois que a matrícula da criança é feita na escola, a lei protege mais, os estudantes não podem se casar. [A família] vai exigir Joyce aos 10 anos ou mais para entregar ao marido, aí será outra briga! Mas Deus é conosco”, afirmou.
Na Tanzânia, a missionária brasileira realiza diversos projetos de evangelização e ajuda humanitária, como a Escola de Costura Vovó Sebastiana, onde mulheres aprendem uma profissão.
O projeto “Geração de Samuel” leva o Evangelho, distribui alimentos e roupas a órfãos, e o projeto “Noemi” prega Jesus e entrega cestas básicas a viúvas. Além disso, a missão também evangeliza as tribos Massai Makuyuni.
Quatro tipos de mutilação
Tipo 1: Clitoridectomia. É a remoção parcial ou total do clitóris e da pele no entorno.
Tipo 2: Excisão. É a remoção parcial ou total do clitóris e dos pequenos lábios.
Tipo 3: Infibulação. O corte ou reposicionamento dos grandes e dos pequenos lábios. Em geral inclui costura para deixar uma pequena abertura.
A prática não é apenas extremamente dolorosa e estressante como também gera o risco de infecção: o fechamento da vagina e da uretra deixa as mulheres com uma pequena abertura pela qual passam o fluído menstrual e a urina.
De fato, algumas vezes a abertura é tão apertada que é preciso abri-la para permitir a penetração no sexo ou o parto – o que geralmente causa complicações para mãe e filhos.
Tipo 4: Abarca todos os outros tipos de mutilação, como perfuração, incisão, raspagem e cauterização do clitóris ou da área genital.
Porque isso acontece?
Em certas comunidades, a MGF é um pré-requisito social e cultural para o casamento; uma mulher não mutilada pode ser vista como impura ou inexperiente para o matrimónio, além de ser uma forma de garantir a virgindade antes do casamento e a fidelidade depois, controlando a sexualidade da mulher, que é fortemente valorizada nessas sociedades.
Organizações como o UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalham ativamente para erradicar a prática, desafiando essas normas culturais prejudiciais.
Fonte / Guiame e BBC News Brasil
Foto / Getty Images

