Sem diploma e sem herança: como Brendan Foody se tornou o bilionário mais jovem do mundo

Sem diploma e sem herança: como Brendan Foody se tornou o bilionário mais jovem do mundo

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A trajetória de Brendan Foody, hoje considerado o bilionário mais jovem do mundo sem herança, começou de maneira pouco convencional. Em 2023, enquanto colegas se preparavam para as provas finais na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, Foody decidiu abandonar a instituição no segundo ano para se dedicar a um projeto que havia começado meses antes em uma hackathon realizada em São Paulo. Essa decisão, arriscada para muitos, acabou moldando uma das empresas de crescimento mais rápido da era da inteligência artificial: a Mercor, avaliada atualmente em US$ 10 bilhões.

A ideia que nasceu no Brasil

Durante a competição de tecnologia no Brasil, Foody e seus futuros sócios, Adarsh Hiremath e Surya Midha, identificaram uma oportunidade simples, porém poderosa: conectar empresas norte-americanas a engenheiros qualificados no exterior, intermediando a relação e recebendo uma porcentagem dos contratos. O primeiro cliente aceitou pagar US$ 500 por semana por um desenvolvedor; a startup repassou cerca de 70% ao profissional e manteve o restante como taxa.

A solução inicial logo evoluiu. Em vez de ser apenas uma ponte entre empresas e talentos, a Mercor passou a atuar em um modelo mais sofisticado: transformar profissionais qualificados, de advogados a médicos, em avaliadores capazes de produzir rubricas e análises para treinar modelos avançados de IA. Dessa forma, a empresa criou um mercado estruturado de micro-tarefas especializadas para aprimorar sistemas de inteligência artificial.

O crescimento acelerado da Mercor

Com apenas nove meses de operação, a Mercor já registrava uma taxa anualizada de US$ 1 milhão em receita. Esse desempenho chamou a atenção de investidores que buscavam empresas capazes de lidar com o principal gargalo da IA moderna: a necessidade de julgamento humano para treinar modelos cada vez mais complexos.

Dois anos após o início, o valor da empresa saltou para US$ 10 bilhões, impulsionando Foody e seus cofundadores ao seleto grupo de bilionários globais. Eles se tornaram exemplos recentes da interseção entre tecnologia, automação e trabalho humano qualificado.

A visão por trás do negócio

Para Foody, a chave da Mercor está em entender que a IA não substitui completamente o trabalho humano, mas o reorganiza. Segundo ele, softwares automatizam tarefas repetitivas e liberam espaço para que pessoas atuem em funções de maior complexidade, ensinando às máquinas aquilo que apenas humanos sabem: nuance, contexto, julgamento e interpretação.

Nesse modelo, empresas podem solicitar milhares de micro-tarefas que simulam atividades reais de profissionais. Avaliadores analisam memorandos, formulários médicos, pareceres jurídicos ou estudos financeiros e fornecem notas detalhadas. Esse retorno alimenta os modelos e aumenta sua precisão em cenários de uso concreto.

O APEX: índice que mede a produtividade da IA

Um dos pilares da Mercor é o APEX, o Índice de Produtividade de IA, criado para medir o desempenho de modelos em atividades economicamente relevantes. O teste reúne 200 tarefas baseadas em rotinas de trabalho reais, desde escritórios de advocacia até departamentos médicos e consultorias estratégicas.

Para desenhar essas avaliações, a empresa montou um conselho de especialistas que inclui nomes como Larry Summers, ex-secretário do Tesouro dos EUA; Dominic Barton, ex-líder global da McKinsey; Cass Sunstein, jurista; e Eric Topol, cardiologista. Eles ajudaram a definir padrões de qualidade que refletissem com precisão o trabalho de alto risco desempenhado por profissionais.

Uma nova etapa da automação

Foody acredita que o avanço da IA representa uma transformação semelhante à revolução industrial. Sua expectativa é que até dois terços do trabalho do conhecimento sejam automatizados nas próximas décadas, liberando tempo humano para atividades intelectualmente mais elevadas. Ele defende que, apesar do medo de substituição, revoluções tecnológicas historicamente ampliam a qualidade de vida ao permitir que trabalhadores se desloquem para funções mais complexas.

Para investidores, a Mercor se posiciona na convergência de dois movimentos estruturais: a expansão global da IA e o crescimento do trabalho flexível por tarefas. Cada novo cliente adiciona mais profissionais ao sistema, e cada profissional produz mais dados que treinam novos modelos, criando um ciclo contínuo de expansão.

O futuro de Foody e da Mercor

Foody afirma não ter tirado um único dia de folga em três anos. Para ele, a dedicação não é sacrifício, mas consequência de trabalhar em algo que considera significativo. Sua filosofia se baseia no retorno sobre o tempo: se cada esforço diário contribui para um futuro mais eficiente e inovador, então vale a pena.

Com a Mercor se consolidando como um dos polos centrais da IA com humanos no loop, o jovem empresário defende que o próximo desafio é acelerar o ritmo de adoção e preparar sociedades para uma reestruturação profunda do mercado de trabalho. Na sua visão, esse é o passo essencial para que a automação deixe de ser uma ameaça e se torne uma ferramenta de progresso.

Fonte: Fatos Desconhecidos

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